Sons desta Noite: “In Tempus Praesens” (Concerto para Violino) de Sofia Gubaidulina

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“(…) Antes de começar a composição de obra, Gubaidulina normalmente deixa amadurecer o primeiro impulso original por um largo tempo de espera, e concebe a sua composição no contexto da sua visão religiosa e filosófica do mundo. Isto também é verdade em “In Tempus Praesens”.

Neste caso específico, existem vários fenómenos que têm um papel particular: para começar, os números 1 e 3, que derivam da Santíssima Trindade , são de importância fulcral. “Mas este UM transporta o infinito, um mundo multi-dimensional dentro de si mesmo, e por sua vez, um número infinito de características”, a compositora explica. Assim, o grande uníssono presente entre a quarta e quinta secções da obra – para Gubaidulina, uma metáfora do presente (“tempus praesens”) – representa simultaneamente a variedade na unidade. Adicionalmente, existe o conceito de “Sophia” – derivado do nome da solista estreante [Anne-Sophie Mutter] e da própria compositora. Com isto, Gubaidulina não só deseja veicular a sabedoria divina como o poder criativo de Deus. Na forma e concepção de uma obra em 5 partes, Gubaidulina remete abertamente ao “duplo vector de Sophia”.

“É imaterial para mim se eu sou moderna ou não. O facto mais importante é a verdade inerente à minha Música”. (Sofia Gubaidulina)

©Helmut Peters, no booklet do CD da BIS Records

 

Sons desta Noite: “Iris Dévoilée” de Qijang Chen [Três cantores, instrumentos tradicionais chineses e grande orquestra]

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“Qijang Chen (…), como outros seus colegas artistas, foi vítima da chamada “Revolução Cultural Chinsa” eliminando – ironicamente – em livrar-se do passado cultural chinês, extraordinariamente rico. Chen emigrou para o Ocidente, aterrando em Paris e tornou-se no último aluno de Olivier Messiaen durante os anos 1984-1988. A influência de Messiaen é certamente sentida nas principais obras orquestras do compositor, embora, como outros compositores chineses, Chen também se debate na reconciliação da sua herança asiática e a educação musical ocidental, sem copiar efectivamente Messiaen ou cair na emboscada do orientalismo barato.

A sua música, sem dúvida, desenha dos dois lados da barricada, e várias peças são tentativas de síntese entre o Este e Oeste. Deste ponto de vista, a obra “Iris Dévoilée” poderá ser a mais bem sucedida, consolidando a jornada estílística de Qijang. Esta obra orquestral de larga escala inclui três solistas femininas que englobam uma cantora de ópera chinesa e três instrumentos tradicionais chineses.

Os seus nove andamentos representam as nove facetas do que os franceses chamariam do “l’éternel féminin” (eterno feminino). Adicionalmente, o libreto chinês cantado é declamado e cantado de modo tradicional pela cantora de ópera chinesa, enquanto que as sopranos “clássicas” fazem vocalizes. A peça começa de modo tranquilo e lento, a zangado e caricatural no retratar de diferentes femininos.

Esta partitura predominantemente lenta e sonhadora, também encontra momentos animados como na “Libertina” e no “Ciumenta” e claro, no estriónica “Histérica”. Esta peça, no entanto, acaba num andamento estático de enorme beleza. A música, refinadamente escrita, evoca Messiaen, com ecos de Ravel e Debussy. A cantora tradicional e instrumentos trazem a esta música um cunho verdadeiramente pessoal. “

Hubert Culot (MusicWeb)

 

Sons desta Noite: “Apollo: Atmospheres & Soundtracks de Brian Eno (1983, re-master 2019)

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No lançamento da re-masterização do mítico albúm de Brian Eno: “Apollo: Atmospheres and Soundtracks”, de 1983:

“A ideia consistia, primariamente, na tentativa de criação de música espacial fronteiriça, de algum modo. Quando convidaram-me para fazer música para o filme [“For All Mankind” de Al Reinart], descobri que os astronautas tinham permissão de transportar uma cassete com eles para as missões, e quase todos eles levavam música e canções Country. Pensei na fabulosa ideia que eles, estando no espaço, tocando esta música que realmente pertence a outra fronteira – de certo modo – pudessem ver-se como cowboys”.

Brian Eno, numa entrevista em 1998.

Sons desta Noite: “A Música, a Guerra e a Revolução (Ep.3) [documentário]

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“Este episódio embarca numa viagem em busca dos aspectos políticos da música, combinando exemplos históricos com o presente. O documentário mostra vários pontos de vista de momentos políticos da música, e conta com os testemunhos de conceituados artistas como o maestro e compositor húngaro Iván Fischer, a pianista venezuelana Gabriela Montero, o pianista e maestro Daniel Barenboim, ou a violoncelista Anita Lasker-Wallfisch, uma das últimas sobreviventes da Orquestra Feminina de Auschwitz.”

Sons desta Noite: “A Música, a Guerra e a Revolução (Ep.2) [documentário]

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“Este episódio é dedicado aos compositores russos do final da primeira década e primeiros anos da segunda década do século passado.
Compositores como Arthur Lourié, Nikolai Roslawets, Alexander Mosolov, bem como Vladimir Deshevov e Lev Teremin permanecem até hoje relativamente, e injustamente, desconhecidos e as suas vidas em grande parte inexploradas. No entanto, esta geração injectou vida no mundo musical da época, deixando a sua marca. Os jovens compositores eram aventureiros: eles apreciavam o futurismo, escreveram o primeiro acorde de doze tons da história musical, inventaram o primeiro instrumento musical electrónico e criaram sons nunca antes ouvidos.”