Sons desta Noite: “4th of July” da “A Symphony: New England Holidays” de Charles Ives [orquestra]

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Do maverick Charles Ives, sobre o 3º andamento (The 4th of July)  da obra A Symphony: New England Holidays:

“Lembro-me distintamente que, quando estava a compor este andamento, experienciei um enorme sentimento de liberdade como um rapaz sente no feriado 4 de Julho, cuja vontade é de fazer o que lhe apetece, sendo esse, o dia perfeito para isso. E quando escrevi isto, senti-me liberto para recordar coisas locais (…) e de introduzir a maior quantidade possível de sentimentos e ritmos que sentisse querer pôr. Fiz exactamente o que queria e não tenho a certeza se obra será mais alguma vez tocada, ou será mesmo possível tocá-la – embora os compassos irregulares que aparentam ser tão complicados na partitura são causados maioritariamente pela omissão de um tempo, o que acontece muitas vezes nos desfiles do feriado”.

 

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Sons desta Noite: “Phaedra” (1974) dos Tangerine Dream [electrónica]

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“Gravada em apenas 6 semanas, “Phaedra” passou para o léxico da música electrónica como um caso de estado da arte da tecnologia embrionária [da década de 70] com inovação arrojada. O título provém do mito grego de “Phaedra”, que cometeu suicídio depois do seu afilhado ter recusado os seus avanços amorosos” O álbum é dividido em 4 secções, duas atribuídas ao grupo [Tangerine Dream], e uma cada a Froese e Baumann. Juntamente com instrumentos convencionais como a guitarra, o contrabaixo, o orgão e a flauta, cada membro usou um “Synthi VCS 3”. Froese tocou o seu “mellotron”, Franke o grande “Moog” e Baumann o piano eléctrico. A faixa “Phaedra” tem a marca indelével do sequenciador Moog com embelezamento electrónico. Com cerca de 17 minutos, traz-nos sensações de cosmos, de sóis gigantes em excplosão, andamentos de largos oceanos, de terras mitológicas, de correntes e movimentos de placas. Camadas e camadas de sons futurista que empilham até que atinge o seu apogeu num grande vazio”.

Mark J. Prendergast, in “Tangerine Dream: Remembering the Dream” (ambientcentury.co.uk)

Sons Desta Noite: “O Navio Fantasma” de Carl Tusig [piano]

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Do pupilo de Liszt , Carl Tusig, o seu opus 1, “O Navio Fantasma”, baseado no poema de Moritz Strachwitz:

Uma noite fantasmagórica, uma hora terrível,

Uma noite dos espíritos aquáticos e de elfos,

O navio agonia como se mortais feridas tivesse,

O homem do leme grita: “Deus nos ajude”!

 

Um enorme barco, alto como uma montanha

Irrompeu pela corrente,

Com velas escuras, negras como o bréu,

E negros são o casco e o mastro. (…)

Tradução livre para português.

Sons desta Noite: Sinfonia nº6 de Bohuslav Martinú [orquestra]

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Martinu, nas suas primeiras notas de programa:

“Existe uma razão clara para mim para a criação desta obra: eu desejei escrever algo para o [maestro] Charles Munch. Admiro-o e aprecio da sua postura espontânea em relação à Música, onde ela toma forma de maneira livre, fluente no seguimento dos andamentos. Um quase imperceptível acelerar ou desacelerar de uma melodia dá-lhe novo impulso. Assim, tive a intenção de lhe escrever uma sinfonia que eu lhe chamaria “fantástica”, e que iniciei de maneira categórica, pondo três pianos numa já considerável orquestra sinfónica. Isto já era bastante fantástico, mas no prosseguir da composição, fui descendo à terra. Reparei que não era uma sinfonia mas algo que já mencionei anteriormente, ligado à concepção e direcção do Munch. Acabei por abandonar o título e por fim os três pianos, quando foi subitamente amedrontado pelo espaço que estes instrumentos exigiriam.

Eu chamo a estes três andamentos “Fantasias”, que o são não realidade. Uma outra fantasia minha foi o facto de ter usado citações de uma outra obra minha, da ópera “Julieta” que, no meu pensamento, se encaixaria aqui perfeitamente. Essa é a natureza da fantasia”.

Sons desta Noite: “Oktett” de Georg Friedrich Haas [8 trombones]

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“O meu envolvimento com as cassetes áudio tocadas por Giacinto Scelsi resultaram numa revelação surpreendente: que melodias – melodias cantáveis no sentido tradicional – também são possíveis com passos micro-intervalares. As transcrições pouco refinadas das obras de Scelsi, muitas delas notadas em não mais que quartos de tom, faz este aspecto da sua música, pouco reconhecível. (Infelizmente, as cassetes estão todas inacessíveis ao público).

Como no meu nono Quarteto de Cordas e na minha peça para Trompete solo “I Can’t Breathe”, tento aqui compor micro-melodias de modo quase didáctico, explorando os quartos de tom e sexto de tom até os oitavos de tom, que devem, ser executados meticulosamente. (…)

Georg Friedrich Haas