Sons desta Noite: “A Visita de Velha Dama” de Gottfried von Einem [ópera]

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A comédia “Der Besuch der alten Dame ( A Visita da Velha Dama), primeiramente executada em 1956, tornou a peça de teatro homónima de Friedrich Dürrenmatt famosa mundialmente, principalmente depois da versão cinematográfica de 1963, protagonizada por Ingrid Bergman. Gottfrid von Einem viu a peça pouco depois da sua estreia e considerou-a como base da sua ópera. Contudo, demoraria cerca de 10 anos, até o compositor começar a trabalhar na obra operática.

Quando Dürrenmatt tomou conhecimento do plano do compositor e procurando apreender o estilo de composição de Von Einem, rapidamente concordou com a adaptação da sua peça teatral, criando ele próprio, o libreto. A estreia de grande sucesso decorreu a 23 de Maio de 1971, na Ópera Estaal de Viena. A parábola de Dürrenmatt sobre a amoralidade de uma comunidade de classe média aparentemente decente, respeitável mas secretamente parasitária de dinheiro e egocêntrica, é tão actual como quando foi escrita. O retrato intenso da composição musical, principalmente da atmosfera homicida que rapidamente descende à volta da vítima de Claire, Ill o lojeiro; o uso evocativo das cores orquestrais e não menos a parte de Claire Zachanassian, a “tour de force” para mezzo-soprano, tornou a ópera num dos sucessos mais duradouros de Von Einem.

Como jovem mulher, Claire Zachanassian ficou grávida e então abandonada por Ill, o lojeiro, na sua casa na cidade de Güllen. Ela foi conduzida até fora da pequena cidade por habitantes moralistas, que a humilham e a etiquetam como rameira. Muitos anos depois, os seus inúmeros casamentos deixaram-na incrivelmente abastada, quando regressa à cidade Güllen, que agora é terrivelmente decrépita e empobrecida. Ela traz consigo um caixão: ela planeia arrastar para a morte por vingança o homem que a seduziu de maneira tão fria. Decide oferecer à cidade um bilião para quem trouxer Ill, morto. Depois do choque inicial, a ganância pelo dinheiro prevalece eo plano cínico funciona. Ill é capturado pelos habitantes e morto, e recebem o bilião. Clarie parte novamente com o corpo no caixão como troféu de caça.”

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Sons desta Noite: Gymnopédies I e III de Erik Satie/Orch. Debussy [orquestra]

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Um exemplo de orquestração sem necessidade de artifícios multiplicadores ou temores de "horro vacui". Basta os elementos essenciais nos momentos certos, com as cores tímbricas desejadas. 
Ao alcance do génio Debussy.

Sons desta Noite: “Nymphéa Reflection” de Kaija Saariaho [orquestra de cordas]

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De uma grande compositora do nosso tempo. Música de Saariaho, inspirada no poema de Arseny Tarkovsky:

Now summer is gone
And might never have been.
In the sunshine it’s warm.
But there has to be more.

It all came to pass,
All fell not my hands
Like a five-petalled leaf,
But there has to be more.

Nothing evil was lost,
Nothing good was in vain,
All ablaze with clear light
But there has to be more.

Life gathered me up
Safe under its wing,
My luck always held,
But there has to be more.

Not a leaf was burnt up
Not a twig ever snapped…
Clean as glass is the day,
But there has to be more.

Sons desta Noite: “Water Concerto” de Tan Dun [percussão de água e orquestra]

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“O que é Água? Às vezes sentimos a água como a voz do nascimento, ou renascimento. Mas eu sinto a água como lágrimas, lágrimas da natureza. De cada vez que viajo, tenho dificuldade em encontrar água límpida. Quase por todo o lado, ela está poluída. Assim torna-se difícil, para mim, cantá-la com a minha música…

Para mim, a infância, vivendo com água, divertindo-me com água, e tocando musica ritualística com água, tornou-se verdadeiramente inspiradora. Por agora, gasto bastante tempo tentando recompor este tipo de memórias… de recompor esse tipo de experiência, com um novo método. Em Hunan, a água era algo quotidiano para mim. Todos os dias, banhávamo-nos no rio. Todas as senhoras mais idosas usavam o rio para lavar a roupa, fazendo sons lindos, bastante rítmicos.

Tentei de algum modo, transpor estas memórias dos sons de lavar, sons de nadar, sons de corpos a mergulhar para a água, nas minhas orquestrações.

Tecnicamente é bastante complexo, porque temos de encontrar as várias cores, e depois misturá-las esta paleta de cores com a paleta orquestral, e ter as duas paletas misturadas como uma só.

Constantemente estou em dificuldades, para quê? Estou em dificuldades – nem por isso à procura de novos e sons musicais nunca vistos – porque estou à minha procura. Se conseguir encontrar-me, encontro a minha música. A minha teoria, que tem sido a maioria da minha prática não está apenas no visual e no aural, no orgânico e no orquestral, no só ocidental ou no só oriental, ou no interior ou no exterior, ou no passado ou no futuro, mas tudo isso, filosoficamente em busca do que 1+1=1, não 2. É bastante pernicioso e difícil, mas claro, é algo bastante pessoal.

Tan Dun

Sons desta Noite: “Loop Finding Jazz Records” de Jan Jelinek [electrónica]

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“Tomando o que se poderá ler como uma lista bastante austera de ingredientes, a técnica de composição de Jelinek [neste albúm] anda à volta de um trio de elementos que consistem em excertos longos de takes secundários de gravações de jazz dos anos 60 e 70, processando-os através do “Wheel Mod” de busca de loops e usando o efeito “Moiré” em som [efeito de sobreposição idênticos que deslocados, provocam um efeito novo].

Tudo soa algo académico, mas assegure-se que nada no albúm é em tal modo: os ritmos combalidos como edifícios em desmoronamento pulsam vida e nos rodeiam a cabeça como uma tempestade de neve em ebulição com um diabólico nevoeiro gelado. Tomando sedimentos do som de estática e depois escamando a melhor rendição no topo, Jelinek abre através os ecos abafados de “Moiré (piano & organ)” onde cliques em espiral e em movimento lento sussurram tons analógicos, dando a impressão de perspectivas recônditas que se estendem para dos elementos constituintes.

Mais adiante, “Rocky in the Video Age”, instiga um blush gratuitamente optimista até uma fluxo aquático de micro-sons, “Moiré (Strings)” é a companhia perfeita para o arquivo em fita em de composição de [William] Basinki, enquanto que “Them, Their” representa uma curvatura aural tão vincada que só se consegue apanhar o seu distintivo brilho pelo canto do olho.

Crítica da loja Boomkat.