Sons desta Noite: “Orchestra” de Dieter Schnebel [orquestra]

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Orchestra, uma partitura sinfónica para músicos em movimento, composta entre 1974 e 1977, teve a intenção na altura de ser um desafio para a postura tradicional dos músicos de orquestra, bastante inflexível na sua prática de performance e onde o papel individual do músico restringia-se ao papel reprodutor de formas. Já no final da década de 50, John Cage referiu a isto como a mentalidade de “rebanho” dos músicos de orquestra. Ainda hoje, a composição retém este carácter provocativo. É uma das obras de Dieter Schnebel (…) que tem potencial utópico no melhor sentido: o desafio ilimitado aos músicos de ajuda na moldagem criativa do que tocam. É ilimitado porque cada músico trabalha com experiências diferentes e tem a sua imaginação própria dentro do “processo de produção”, desafiando a mente e sentidos de igual modo.

A base composicional para este trabalho criativo da execução orquestral consiste num partitura de 21 folhas, na maioria em tamanho A3, onde são indicados alguns modelos rítmicos, listas de notas, modelos de escalas, instruções verbais para moldar o som e dramaturgia, como planos espaciais. Vinte e um,a partes – que Schnebel chama “fases – aparecem apenas em visão geral, as partes 5, 8, 14 e 17 não foram de facto compostas.

Orquestra é pouco mais que obra do que “um processo de aprendizagem para músicos, na direcção da mobilidade interna e externa”, como é dito nas notas da partituras, e também uma experiência em performance, “música em espaço”. É executada numa plataforma central com o também de outras seis plataformas que alinham as paredes da sala, requerendo aos músicos se movimentem de um ponto a outro por várias vezes, passando pelo público. As pessoas do público, como extras, tornam-se elementos teatrais da performance, sempre que se cruzam com a música. (…)”

Gisela Nauck, Março 2000

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Sons desta Noite: “indigo_transform” de Monolake [electrónica]

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Nos inícios de Outubro de 2008, um artista sueco – Fredik Wretman – contactou-me por causa de uma instalação sua, pois ele queria usar a minha faixa “Indigo” do alias Monolake na sua instalação. Gostei da ideia, mas achei inapropriado tocar a faixa vezes sem conta em loop. Então, eu isolei alguns elementos da peça original e transformei-os em atmosferas lentas e envolventes para coincidir com o movimento da instalação do Fredik.
Durante a instalação, a música foi tocada em 3 CDs diferentes: cada um continha uma versão ligeiramente diferente da paisagem sonora, cada uma com um tempo de execução diferente, alimentando as colunas localizadas em diferentes partes da galeria. Como resultado, os eventos sonoros nunca se repetiam de igual modo e ordem e o som viajava lentamente no espaço, enchendo a sala como um perfume.

Robert Henke a.k.a. Monolake, Maio 2009

Sons desta Noite: “Triadisches Ballett” de Oskar Schlemmer/Paul Hindemith [bailado]

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“Se a Arte de hoje ama a máquina, a tecnologia e a organização, se aspira à precisão e rejeita tudo o que é vago e sonhador, tal implica num repúdio instintivo do Caos e um desejo de procura da forma apropriada para o nosso tempo”.
Oskar Schlemmer,  Abril 1926

Triadische Ballet.gif

“…blood blossoms…” (2002) de Ken Ueno [ensemble amplificado]

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“The old junky found a vein…blood blossoms in the dropper like a Chinese flower..” pg. 84, Naked Lunch, William F. Burroughs

“O texto de Burroughs fez-me pensar que a beleza pode ser encontrada num meio com total capacidade de poder e destruição. Na escrita para ensemble amplificado, procurei criar texturas delicadas que jogam contra o poder incipiente da amplificação e distorção.”

O compositor