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“(…) Outra peça importante de Josquin,  o seu Stabat Mater,  está impregnada de uma expressividade emocional de grande intensidade. Sobretudo as estrofes finais dessa formosa sequência atribuída a Jacopone da Todi, em plena onda franciscana  da “Imitatio Maria”. As últimas estrofes experimentam um acelerando em velocidade e urgência. Acontece após o coração da sequência, quando a alma devota, depois de evocar ao princípio da cena de Maria que aos pés da cruz e trespassada pela dor,  pede à “Mater Dolorosa” que lhe seja concedido o dom de viver com os mesmo sofrimentos.

Uma vez formulado este pedido,  [a alma devota] pronuncia a mais urgente petição de auxílio na hora da morte.  É pedido à Virgem que no dia do Juízo Final, interceda perante o seu Filho para evitar ser condenada e assim alcançar o paraíso:

“Inflammatus  et accensus

per te Virgo  sim defensus

in die Judicii

Fac me cruce custodiri

Morte Christe praemuniri,

confoveri gratia.

Quando corpus morietur,

fact ut animae donetur

paradisi gloria. Amen.”

Neste stretto conclusivo, acelera-se o tempo musical da peça. Muda radicalmente de velocidade. O andante processional converte-se num molto vivace. O efeito é fulminante. O clímax da oração final alcança-se no verso “Paradisi gloria”. (…)

in “La Imaginación Sonora” de Eugenio Triás (páginas 67 e 68)