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No ciclo em 3 partes para ensemble “Sonic Eclipse” (2009-10), outro sujeito de processo composicional está no disfarce auditivo como processo passo-a-passo de dissimulação. O instrumento solo escolhido para a primeira parte, “Celestial Object I”, é o trompete, com a trompa tomando o seu papel no “Celestial Object II”. A terceira parte, “Ocultação”, interliga os dois instrumentos solo, que por sua vez procedem à integração de si próprios com o restante ensemble. Em buscar de uma metáfora deste processo, Pintscher escolheu o fenómeno do eclipse, onde os corpos celestiais se sobrepõe e projectam as suas sombras entre eles até o momento de completa negritude.

” Estava interessado em examinar o repertório dos dois instrumento que são bastante diferentes mas que ainda pertencem à mesma família, assim, enfatizando os contrastes entre as duas respectivas sonoridades. Este repertório inteiramente heterogéneo de som e forma é gradualmente trazido conjuntamente até se sobrepor, envolvendo por fim, todo o ensemble. O resultado está na fusão de tudo em apenas uma voz, um instrumento e um gesto sónico – que por fim, procede a desfazer-se novamente. No sentido metafórico, isto é o que precisamente acontece com um eclipse.”

Em Celestial Object I, partículas  concisas  e sem altura sopradas, desenvolvem um diálogo com o ensemble que se assemelha com um processo passo-a-passo de cooptação: este processo toma lugar primeiro sob forma de responsorial, subsequentemente como uma gradual e mútua construção dos instrumentos circundantes, virtualmente absorvendo o som do trompete, re-colorindo-o e permitindo-o a reverberar. O material do trompete contempla desde gestos de impulsivos no início até a virtuosas coloraturas. O material da trompa no Celestial Object II, por outro lado, desenha grandes linhas melódicas. O material inclui passagens na dinâmica mais suave possível, o uso de várias técnicas de execução e em geral, arcos de grande expressividade. Comparado com a trompa, o trompete, porventura, toca de uma maneira mais experimental e virtuosa. Estes dois opostos finalmente são conjugados, numa espécie de síntese em ocultação.

Como Pintscher descreve, o material musical da duas primeiras partes do ciclo são:

“condensadas e sobrepostas. Os dois repertórios são combinados, forjados e trocados  à maneira de uma passagem em Stretto. Assim que se aproximam fortemente para possam sobrepor o caminho de um e de outro de modo quase completo”.

A exploração, a mútua infiltração e interligação dos respectivos repertórios sónicos instantaneamente espalham-se por todo o ensemble. um processo que repetidamente culmina em massivas explosões colectivas.

Marie Luise Maintz, notas de programa do CD “MATTIAS PINTSCHER: sonic eclipse” da editora KAIROS

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