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“Konx-Om-Pax” é, provavelmente, umas das composições mais eficazes de Scelsi, usando material relativamente simples, projectado numa enorme tela sonora. Está escrita para grande orquestra (sem flautas), juntamente com orgão e no último andamento, um coro misto. Foi estreada a 5 de Fevereiro de 1986 para Orquestra da Hessian Radio em Frankfurt e dirigida por Jorg Wyttenbach.

O título da peça são três palavras que significam “Paz” em assírio antigo, sânscrito e latim. Tem como subtítulo: “Três aspectos do Som: como primeiro movimento do inamovível; como força criativa; como sílaba sagrada “Om”. “Konx-Om-Pax” é especialmente eficaz em criar uma sensação de paz, e tal sensação é útil para lidar com o mundo de hoje.

O primeiro andamento é baseado inteiramente na nota Dó, tratada primeiramente como uma pedal interior, que ventila primeiramente de modo harmónico e simétrico e depois assimetricamente, com a adição de quartos de tom, crescendo a um clímax altamente elaborado sobre a nota Dó. (…) O curto segundo andamento começa em Fá, lentamente adensando-se a uma grande explosão de força, sob forma de rápidas escalas cromáticas, que engolem tufo pelo seu caminho, finalizando novamente, na nota Fá. O terceiro andamento está na nota Lá (…) e marca a entrada do coro misto, cantando a sílaba “Om”. Este andamento dá a impressão (absurdo, como possa soar) de “music-process” ou até uma fuga sob um tema de uma nota só, “Om”. Isto é conseguido través de um cromatismo interior com variações microtonais, com uma ponderação cuidada do comprimento da sílaba e respectiva inflexão, e a construção de um contra-sujeito a partir de ressonâncias harmónicas. As entradas de “Om” continuam sustentadamente ao longo do andamento lento.(…)

De muitas formas, “Konx-Om-Pax” é a criação mais perfeita de Scelsi: testa o seu supremo sentido e poder e harmonia e acima de tudo, da sua eficácia. Para muitas obras de Scelsi, é necessária uma contextualização mental de modo a aproximar-nos delas, mas aqui o contexto mental é estabelecido dentro dos 20 minutos da própria obra. Enquanto que outras peças poderão ser ineficazes, “Konx-Om-Pax” nunca é o caso.

Todd McComb (ClassicalNet)

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