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Concebida como uma “a-sinfonia”, a Sinfonia nº1 de Schnittke aparece décadas antes do reconhecimento da necessidade de reinvenção das orquestras na sua missão e futuro. O compositor desafiou ouvintes e executantes a questionar a viabilidade da pedra fundamental do repertório orquestral – a sinfonia – na sua iconoclástica Primeira Sinfonia (1969-1972).

“- É uma tentativa” – explicou Schnittke, “de reconstruir a estrutura clássica dos quatros andamentos da sinfonia (com uma dramática forma-sonata, uma scherzo “divertidito”, um filosófico Adagio e um libertador Finale) – uma estrutura que entretanto foi destruída pelo desenvolvimento da Música – de fragmentos e restos, providenciando novo material onde deixou de existir”.

Os “restos” que Schnittke refere, rpovêem de Beethoven, Chopin, Strauss, Tchakovsky, Haydn, canto gregoriano, já para não falar da sua própria música anterior para filme e teatro, que providenciam partes banais, desde fragmentos de ragtime e marchas de banda ao pop. O novo material inclui uma extensa improvisação de free jazz. Isto é música que não mostra complacência; os fragmentos e alusões colidem e refractem num perturbante caleidoscópio de caos, apesar de um fantasmagórico lirismo emergente.

A sinfonia também foi concebida como arte performativa. O drama da performance sinfónica que tantas vezes é tomada como garantida (as entradas e saídas de maestros e músicos) foi explicitamente coreografada pelo compositor.

Permitida apenas em uma única, agora lendária, performance nas províncias da ida União Soviética em 1974, a Sinfonia nº1 de Schnittke foi a sua obra de consagração. Cimentou a sua reputação como compositor “poli-estilista”. Em 1988, quando as audiências americanas ouviram pela primeira vez pela Sinfónica de Boston (dirigida pelo seu dedicatário Gennady Rozhdestvensky), algum do público saíram da sala, indignados. Os restantes ficaram e aplaudiram entusiasticamente.

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