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No Dia Internacional da Lembrança do Holocausto.

Henryk Gorécki estabeleceu-se com um dos compositores mais reconhecidos do final do século XX, com um estilo musical cuja pertinência e acessibilidade encontrou um vasto e diverso público. O seu reconhecimento internacional foi lento inicialmente. E apesar das suas obras orquestrais e de câmara das décadas de 60 e 70 tinham aceitação em públicos da Polónia e críticos estrangeiros, foi a 3ª Sinfonia que eventualmente catapultou Górecki para os holofotes da música erudita.

A Sinfonia nº3, intitulada de “Sinfonia de Canções Tristes” é escrita para orquestra e soprano solista, com três andamentos.

O primeiro andamento e mais longo, com andamento de “Lento sostenuto tranquilo ma cantabile”, inicia com um cânone lento e deliberado, cujo sujeito é adaptado de uma antiga canção popular polaca. No seu auge, o cânone é interrompido pelo soprano, cantando um fervente lamento a Jesus Cristo na voz de Maria: “Meu amada filho escolhido, partilha com a tua mãe, as tuas feridas…” Este texto é retirado das “Canções de Lysagóra”, uma colecção sacra datada do século XV. No mais curto mas igualmente potente segundo andamento, um fundo harmónico diluído cria uma paleta sombria sobre as palavras agonizantes que foram encontradas raspadas nas paredes da prisão da Gestapo, por uma jovem de 18 anos. O tom aqui torna-se  igualmente religioso: “Mãezinha, não chores, mais Pura Rainha dos Céus, reza, não me abandones, Avé Maria”. O terceiro andamento, construído sobre um série de variações, mais uma vez visita o tema inicial da mãe que chora o seu filho; este tema deriva da canção popular polaca.

Apesar da intensa expressividade e linguagem musical clara desta sinfonia, a sua fama não pode ser atribuída apenas ao seu estilo  – de facto, Górecki foi uma figura obscura para o público americano durante algum tempo depois da composição desta obra, enquanto que gravações avulsas da obra receberam vendas modestas. Contudo, numa feliz convergência de estilos, marketing eficaz e mudanças no gosto do público, a gravação de 1992 da sinfonia, pela London Sinfonietta e o maestro Dawn Upshaw tornou-se num ápice num dos best hits do ano, vendendo milhões de cópias. Esta obra de compositor polaco, tocou num nervo universal e falou para um público mais abrangente que qualquer obra clássica do seu tempo.

Jeremy Grimshaw

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