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Ekphrasis (continuo II) é um comentário reservado e reflexivo de um adágio que escrevi em 1990. É um comentário numa paisagem contínua formada por uma interlaçado de padrões repetíveis.

Não tive nenhuma intenção de compor uma metáfora musical para a arquitectura enquanto trabalhava em Continuo. Nem quis escrever uma homenagem musical a famosos arquitectos de Chicago, como Sullivan, Wright ou Mies vann der Rohe. Nem quis construir nenhuma directa referência para as construções tanto divertidas como intelectuais de Renzo Piano, cuja obra eu admiro. Durante o período de composição, contudo, apercebi-me que foi isto exactamente o que aconteceu. Os processos musicais dentro da textura de Continuo têm, indubitavelmente, semelhanças com principais arquitectónicos, em forma abstracta, se não na sua forma estática. Os padrões musicais resultam numa construção completamente impraticável, sem portas ou corredores. A sua expressividade atraente, mesmo assim, reside na contradição de ser inabitável por um lado, e por outro, aberto a qualquer um para extensões alternativas por acrescento de novas asas, quartos e janelas.”

Luciano Berio

 

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