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“O arranjo é dificilmente ortodoxo. A harmonização simples em notas dobradas do violino choca abrasivamente em notas erradas; o piano numa textura grave, distante e num toque de sino dissonante, o duo assume os restantes versos como um relógio danificado. Apesar de ser uma miniatura – Schnittke escreveu-a num cartão natalício ao violinista Gidon Kremer – é o epítome do estilo mais prevalecente do compositor: misturar velhas e novas práticas num estilo mordaz.

O estilo polivalente de Schnittke brotou nos finais dos anos 60  princípio dos anos 70. A sua linha musical muitas vezes era, frequentemente o classicismo vienense: Haydn, Mozart. (O pai de Schnittke era jornalista, esteve mobilizado com o exército soviético em Viena depois da Segunda Guerra Mundial; aquele mundo musical tornou-se na pedra filosofal do compositor). Mas aquelas menções musicais antigas, tanto alusões, pastiches ou citações directas foram sujeitas ao imaginário graffitti-musical de Schnittke: tropos modernistas de século XX, transformado num em ferramentas de sabotador.

(…)

Schnittke foi um devoto e tardio novo-cristão, embora, pelos seus olhos, a religião teria as suas falhas. “Toda a rotina formal da fé religiosa – constantemente seguida todos os dias, numa interpretação virtualmente literal – perdeu, por lógicas razões, valor para mim” – disse Schnittke numa entrevista com Alexander Ivashkin. (…)

(…) Como o Natal, sendo o mais tradicional de todas celebrações, A reinterpretação ácida de Schnittke no “Noite Feliz”, serve como um aviso de como as tradições são tão perigosas como elevadoras”.

(Mathew Guerrieri, Boston Globe)

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