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A história da composição final da ópera “Turandot” envolve peripécias interessantes de nota. É sabido que a ópera de Puccini ficou inacabada no seu final 3º acto pelo compositor, quando faleceu em 1924. Apesar de já ter composto os dois primeitos actos, ter dezenas de páginas rabiscadas com partes em redução das intenções do 3º acto, é certo que a sua contrução estava em grande parte, por realizar. Com o seu falecimento, a editora das obras de Puccini (Riccordi) decide juntamente com Toscanini, buscar rapidamente um compositor que acabasse de maneira satisfatória a ópera. Riccardo Zandonai foi um dos compositores sugeridos – aliás, supostamente sugerido por Puccini antes da sua morte – mas esta opção foi recusada, chegando a Franco Alfano. Este compositor teve de obedecer estritamente às indicações que Puccini deixara, sob pressão  da Riccordi e Toscanini. Não sabemos ao certo se a versão que nos chega comummente é a versão Puccini/Alfano ou se Puccini/Alfano/Toscanini, pois o maestro, no alto do seu estatuo, decidiu cortar algumas partes, que não coincidiam – segundo ele – com a música pucciniana. No entanto, aqui perdeu-se a poprtunidade de enriquecer o universo pucciniano com uma visão fresca, fosse de Zandonai ou Alfano. Compositores de reputada qualidade, mas bloqueados à força. Surge-nos então, mais recentemente, uma versão alternativa de Luciano Berio, de 2001. Respeitando minimamente as indicações de Puccini, Berio traz-nos outras cores, mais modernas, mais arriscadas e que em vez de ofuscar Puccini, pelo contrário, abrilhanta o deus operático! Mas que beleza. Um exemplo de que o brilhantismo está na liberdade, nunca no academismo.

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